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  • Júlio Zacarchenco

Mensagem de Natal


O EVANGELHO


Entre a Manjedoura e o Calvário, guarda-se a lição eterna do Cristo. Na primeira, ergue-se a humildade, clarificando o caminho dos homens; no segundo, erguem-se a esperança e a resignação na Providência Divina.


Nesses dois capítulos, imensos pela sua expressão simbólica, encerra-se todo o monumento de filosofias do Cristianismo.


Vinte séculos decorreram.


Os primeiros mártires da fé edificaram as bases da doutrina do Crucificado sobre a face do mundo. Uma luz poderosa irradiava-se da cruz, iluminando as estradas da evolução em todo o Planeta. Todos os deuses do politeísmo romano desapareceram dentro do novo conhecimento da verdade. A poesia grega, que ainda era a fonte essencial da inspiração do mundo, teve as suas bases regeneradas pela doce lição da Divina Vítima.


Mas, a ambição de domínio sobrepõe-se ao sacrifício e ao martírio. O imperialismo romano não tardou a se manifestar, travestido nas mitras episcopais, e a grande lição do Calvário foi esquecida, no abismo das exterioridades religiosas. A má-fé e o embuste rodearam o Evangelho, enegrecendo-lhe as páginas, e a figura luminosa do Cristo foi adaptada por todas as filosofias, por todas as escolas e interesses particulares. O Evangelho serviu de instrumento para lutas e morticínios. Os homens, tocados de egoísmo e ambição, procuraram torcer-lhe os ensinos, como se estes se constituíssem de textos de leis humanas e falíveis. Raros corações entenderam o “amai-vos” da lição imorredoura do Sublime Enviado. E o resultado da grande incompreensão é presentemente vivido pela vossa época de supremas angústias.


Será, talvez, ociosa a vós outros nossa insistência no exame da civilização em curso, falha de valores espirituais. Acresce notar, porém, que o nosso esforço deve caracterizar-se pelo trabalho de encaminhar a luz divina ao vosso entendimento. O mundo, na atualidade, experimenta transições angustiosas e rudes. Para a culminância da luta deste crepúsculo de civilização, a corrida armamentista, no Planeta, custas às nações fabulosas fortunas por dia, ignorando-se, na estatística exata, os elementos despendidos na educação do povo e na assistência às massas.

No entanto, os políticos, os falsos sacerdotes e todos os cientistas da Terra enganam-se em suas ingratas cogitações. A direção do orbe pertence a Jesus, cuja mão divina permanece no leme, apesar da escuridão da noite e não obstante a força destruidora da procela.


Os grandes gênios da Espiritualidade Superior reúnem-se no Infinito, examinando o curso dos destinos humanos, e, enquanto lembrais, em vossa assembleia humilde, o vulto luminoso da cruz, prepara-se no ilimitado um novo dia para o conhecimento terrestre.

O Cristianismo marcou uma era diferente e os séculos futuros viverão à claridade de uma outra luz que, em breve, raiará nos horizontes da Terra, para o coração aflito e sofredor da Humanidade.


- Emmanuel


(in “Antologia Mediúnica do Natal”, médium Francisco Cândido Xavier, cap. 58, editora FEB)

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