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  • Júlio Zacarchenco

Espiritismo e Política

Qual a posição do Espiritismo com relação à política do mundo?

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Em tempos de eleições e campanhas políticas, é natural que as pessoas se posicionem partidariamente, de acordo com suas aspirações, pensamentos, ideologias, paixões.


O problema surge quando tenta-se misturar religiosidade e política partidária.


A posição do Cristianismo é bastante clara a esse respeito: Jesus asseverou que não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo, a Deus e a Mamon, e, também, que devemos dar a César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus. Nessas duas afirmações, estabeleceu Ele uma clara distinção entre os interesses puramente materiais e os espirituais, sendo que os segundos têm sempre primazia e não devem se misturar com os primeiros.


O Espiritismo, que tem como base fundamental os ensinamentos de Jesus, não poderia propor nada diferente do Evangelho do Cristo, e, por isso, não trata, de nenhuma forma, de política partidária nem de ideologias políticas, as quais dizem respeito a questões meramente materiais, transitórias, enquanto a Doutrina ocupa-se do Espírito e das questões pertinentes à sua imortalidade, considerando a existência na Terra uma experiência transitória, que tem como objetivo oferecer oportunidade ao ser espiritual de expiar possíveis faltas cometidas no passado e de aperfeiçoar-se intelectual e moralmente.


O Espírito Emmanuel, pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, escreveu em sua obra “O Consolador” (item 60) que “o espiritista sincero deve compreender que a iluminação de uma consciência é como se fora a iluminação de um mundo, salientando-se que a tarefa do Evangelho, junto das almas encarnadas na Terra, é a mais importante de todas, visto constituir uma realização definitiva e real. A missão da doutrina é consolar e instruir, em Jesus, para que todos mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da vida.”


A proposta do Espiritismo é promover o progresso moral da Humanidade, por meio da transformação moral de cada ser humano. Nota-se, portanto, que é algo muito mais profundo que qualquer ideologia política ou programa político-partidário existente na Terra.


Nesse sentido, escreveu Kardec, o codificador da doutrina, que “há um elemento, que se não costuma fazer pesar na balança e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. Considerando-se a aluvião de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de espantar as consequências desastrosas que daí decorrem? Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos penosamente os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Esse o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, o penhor da segurança de todos.” (in “O Livro dos Espíritos”, comentário à resposta 685-a, ed. FEB).


Por fim, sempre bom lermos e relermos as considerações do Espírito André Luiz, constante do livro “Conduta Espírita”, publicado pela Federação Espírita, abaixo transcritas, para que não permitamos que as nossas paixões nos arrastem a comportamentos contrários ao Espiritismo, que é, em realidade, a revivescência do Cristianismo puro.


"NOS EMBATES POLÍTICOS"


"Situar em posição clara e definida as aspirações sociais e os ideais espíritas cristãos, sem confundir os interesses de César com os deveres para com o Senhor.

"Só o Espírito possui eternidade.

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"Distanciar-se do partidarismo extremado.

"Paixão em campo, sombra em torno.

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"Em nenhuma oportunidade, transformar a tribuna espírita em palanque de propaganda política, nem mesmo com sutilezas comovedoras em nome da caridade.

"O despistamento favorece a dominação do mal.

*

"Cumprir os deveres de cidadão e eleitor, escolhendo os candidatos aos postos eletivos, segundo os ditames da própria consciência, sem, contudo, enlear-se nas malhas do fanatismo de grei.

"O discernimento é o caminho para o acerto.

*

"Repelir acordos políticos que, com o empenho da consciência individual, pretextem defender os princípios doutrinários ou aliciar prestígio social para a Doutrina, em troca de votos ou solidariedade a partidos e candidatos.

"O Espiritismo não pactua com interesses puramente terrenos.

*

"Não comerciar com o voto dos companheiros de Ideal, sobre quem a sua palavra ou cooperação possam exercer alguma influência.

"A fé nunca será produto para mercado humano.

*

"Por nenhum pretexto, condenar aqueles que se acham investidos com responsabilidades administrativas de interesse público, mas sim orar em favor deles, a fim de que se desincumbam satisfatoriamente dos compromissos assumidos.

"Para que o bem se faça, é preciso que o auxílio da prece se contraponha ao látego da crítica.

*

"Impedir palestras e discussões de ordem política nas sedes das instituições doutrinárias, não olvidando que o serviço de evangelização é tarefa essencial.

"A rigor, não há representantes oficiais do Espiritismo em setor algum da política humana."


“Nenhum servo pode servir a dois senhores” – Jesus - (Lucas, 16:13)

(André Luiz, in “Conduta Espírita”, cap. 10, ed.FEB)

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