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  • Júlio Zacarchenco

As Questões Proletárias e o Espiritismo

As questão proletárias são um tema de grande destaque no mundo, sobretudo nos campos de discussão política, econômica e sociológica. Saiba o posicionamento espírita sobre o assunto. (#proletariado, #visãoespíritaproletariado, #lutadeclasseseespiritismo)


A questão do proletariado é um tema de grande destaque no mundo, sobretudo nos campos de discussão política, econômica e sociológica.

O Espiritismo, sendo a revivescência do Cristianismo em suas bases originais, oferta-nos acurada reflexão sobre o assunto.

Determinadas ideologias humanas intentam dividir a sociedade em grupos antagônicos, chegando a estimular as lutas, os combates, algumas vezes, até mesmo a violência, o que, naturalmente, gera prejuízos a todos e está contrário à mensagem de Jesus.

Em interessante mensagem inserta numa das obras basilares da Doutrina Espírita, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, lemos que todos somos Espíritos em tarefas específicas na Terra, alguns em posições de liderança, de comando, e outros em situações de subordinação e cooperação; todos importantes para o conjunto da obra. Vejamos um trecho do texto:

“O superior, que se ache compenetrado das palavras do Cristo, a nenhum despreza dos que lhe estejam submetidos, porque sabe que as distinções sociais não prevalecem às vistas de Deus. Ensina-lhe o Espiritismo que, se eles hoje lhe obedecem, talvez já lhe tenham dado ordens, ou poderão dar-lhas mais tarde, e que ele então será tratado conforme os haja tratado, quando sobre eles exercia autoridade.

“Se o superior tem deveres a cumprir, o inferior, de seu lado, também os tem e não menos sagrados. Se for espírita, sua consciência ainda mais imperiosamente lhe dirá que não pode considerar-se dispensado de cumpri-los, nem mesmo quando o seu chefe deixe de dar cumprimento aos que lhe correm, porquanto sabe muito bem não ser lícito retribuir o mal com o mal e que as faltas de uns não justificam as de outrem. (...) Sua crença lhe orienta a conduta e o induz a proceder como quereria que seus subordinados procedessem para com ele, caso fosse o chefe. Por isso mesmo, mais escrupuloso se mostra no cumprimento de suas obrigações, pois compreende que toda negligência no trabalho que lhe está determinado redunda em prejuízo para aquele que o remunera e a quem deve ele o seu tempo e os seus esforços. Numa palavra: solicita-o o sentimento do dever, oriundo da sua fé, e a certeza de que todo afastamento do caminho reto implica uma dívida que, cedo ou tarde, terá de pagar.” (François-Nicolas-Madeleine, in “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, item 9, FEB)

Em perfeita sintonia com o pensamento acima, o nobre Espírito Emmanuel respondeu à questão que lhe fora formulada, por meio da mediunidade de Francisco Cândido Xavier:

“(Pergunta) Poderão os homens resolver sem atritos as chamadas questões proletárias?

(Resposta) “- Sim, quando se decidirem a aceitar e aplicar os princípios sagrados do Evangelho. Os regulamentos apaixonados, as greves, os decretos unilaterais, as ideologias revolucionárias, são cataplasmas inexpressivas, complicando a chaga da coletividade.

“O socialismo é uma bela expressão de cultura humana, enquanto não resvala para os pólos do extremismo.

“Todos os absurdos das teorias sociais decorrem da ignorância dos homens relativamente à necessidade de sua cristianização. Conhecemos daqui (do mundo espiritual) os maus dirigentes e os maus dirigidos, não como homens ricos e pobres, mas como avarentos e revoltados. Nessas duas expressões, as criaturas operaram o desequilíbrio de todos os mecanismos do trabalho natural.

“A verdade é que todos os homens são proletários da evolução e nenhum esforço de boa realização na Terra é indigno do espírito encarnado.

“Cada máquina exige uma direção especial, e o mecanismo do mundo requer o infinito de aptidões e de conhecimentos.

“Sem a harmonia de cada peça na posição em que se encontra, toda produção é contraproducente e toda boa tarefa, impossível.

“Todos os homens são ricos pelas bênçãos de Deus e cada qual deve aproveitar, com êxito, os “talentos” recebidos, porquanto, sem exceção de um só, prestarão um dia, além-túmulo, contas de seus esforços.

“Que os trabalhadores da direção saibam amar, e que os da realização nunca odeiem. Essa é a verdade pela qual compreendemos que todos os problemas do trabalho, na Terra, representam uma equação do Evangelho.”(Emmanuel, in “O Consolador”, item 57, FEB)

Como vemos, o Espiritismo, tendo na mensagem de Jesus o seu fundamento ético-moral, convoca-nos todos ao esforço de transformação do mundo para melhor por meio da nossa própria transformação moral. E, por isso, não se alinha a nenhuma proposta de separação das criaturas humanas em grupos antagônicos, nem de condutas rebeldes, desordeiras ou que incitem à violência.

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