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  • Júlio Zacarchenco

A violência no mundo e nós.

Atualizado: 3 de Mar de 2018

Nas primeiras 7 semanas de 2018, os Estados Unidos já contabilizavam 8 ataques com armas de fogo em suas escolas, com muitas vítimas feridas e mortas. Um dia após o massacre em Parkland, o jornal britânico “The Guardian” publicou um artigo trazendo a informação de que nos últimos 1.870 dias haviam ocorrido nos EUA 1.624 ataques com armas de fogo contra aglomerações de pessoas.

O que está acontecendo com o mundo? Por que tanta violência? Qual a causa? Veja aqui um pouco sobre o que o Espiritismo explica sobre o assunto.




A Violência no Mundo e Nós


► Por Júlio Zacarchenco



No último 14 de fevereiro, um rapaz de 19 anos entrou numa escola de ensino médio, na cidade de Parkland, na Flórida, EUA, e, usando um rifle AR-15, abriu fogo contra todas as pessoas que foi encontrando pela frente. Pelo menos 17 foram mortas, entre adultos e estudantes, e outras tantas ficaram feridas e tiveram de ser internadas em hospitais. O autor do crime é um ex-aluno daquela instituição, de onde foi expulso por questões disciplinares.


Vinte e dois dias antes desse nefasto evento, outro ataque com arma de fogo ocorreu nos EUA, numa outra escola, em Benton, Kentucky, com a morte de dois estudantes. Nas primeiras 7 semanas de 2018, o país já contabilizava 8 desses ataques em suas escolas, com muitas vítimas feridas e mortas. Um dia após o massacre em Parkland, o jornal britânico “The Guardian” publicou um artigo trazendo a informação de que nos últimos 1.870 dias haviam ocorrido nos EUA 1.624 ataques com armas de fogo contra aglomerações de pessoas.


No ano passado, em outubro, na cidade de Las Vegas, um homem, do quarto de seu hotel, atirou contra o público que se reunia num festival de música e matou 58 indivíduos. Um mês depois, um rapaz entrou numa igreja, no Texas, no momento em que ocorria o culto, e começou a disparar sua arma, matando 24 pessoas, incluindo crianças.


No 14 de julho de 2016, no dia da celebração da “Prise de la Bastille” e dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, símbolos da Revolução Francesa, um rapaz de 31 anos, dirigindo um pesado caminhão, avançou com o veículo contra os pedestres que participavam das festividades da noite e assistiam aos fogos de artifício, produzindo, pelo menos, 84 mortes, cerca de 52 feridos em estado gravíssimo e mais 200 outros feridos, contando-se muitas crianças nesses números.


Que alucinação seria esta a levar indivíduos, de variadas idades, a assassinar cruelmente tantas pessoas que nem mesmo conheciam, que nunca tinham visto?


O terror tem apresentado-se em toda parte e ninguém está, efetivamente, seguro, em nenhum lugar do mundo.


O que estaria acontecendo com as criaturas humanas? Qual a origem de todos esses ódios, ressentimentos, insanidades?


Na obra “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, encontramos a pergunta de número 913 expressa nos seguintes termos: “Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical?” A resposta merece as nossas reflexões mais atentas: “temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Por mais que lhes deis combate, não chegareis a extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto aí é que está a verdadeira chaga da sociedade. Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades.”


Carl Gustav Jung, o pai da Psicologia Analítica, asseverara que a causa de nossos infortúnios residiria no ego, a representar as nossas más inclinações morais, as nossas paixões inferiores. Ele também afirmou que uma vida sem um sentido psicológico profundo levaria o indivíduo ao vazio existencial, à depressão e a outros transtornos psicológicos ou psiquiátricos. Para o eminente médico, de todas as metas psicológicas, a mais excelente seria amar. Viktor Frankl, psiquiatra sobrevivente do Holocausto e criador da Logoterapia, também chegara à mesma conclusão.


Há dois milênios, um jovem carpinteiro, saindo a semear o que ele chamava de “boas notícias de alegria”, proclamou: “o meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.” (Jesus, Evangelho de João, 15:12,13)


No século XIX, foi lançado o livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, organizado por um dos mais importantes intelectuais e pedagogos da época, Hippolyte Léon Denizard Rivail, discípulo de Johann Pestalozzi, e que ficou mais conhecido pelo pseudônimo Allan Kardec. No capítulo 11 dessa obra, é possível ler-se uma mensagem intitulada “A Lei de Amor”, cujo trecho transcrevemos aqui: “O amor resume a doutrina de Jesus inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! Ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo. (...)”


A Dra. Hanna Wolff, renomada psicoterapeuta alemã, declarou que a mensagem de amor deixada por Jesus constituía-se a mais profunda e eficaz proposta psicoterapêutica para o ser humano.


Face a todos esses conhecimentos, concluímos que para todos os males da Humanidade outra alternativa não há senão o Amor, notadamente para a onda de terror que enfrentamos em todo o mundo.


Matar e matar-se são manifestações máximas do desamor.


Não basta termos o verniz do amor. É necessário que amemos com esse ardor capaz de superar os ressentimentos, as mágoas, as diferenças. Mohandas K. Gandhi afirmou que o amor puro de uma única alma seria capaz de anular o ódio de milhões. Com o comportamento de não-violência, ele liderou o seu povo até a libertação da Índia da subjugação que foi-lhe imposta pelo Império Britânico.


Quando atos de barbárie, como os que temos assistido, tornam-se reiterados, surgindo em todas as partes do globo, atingindo a todos, constatamos a falência das instituições governamentais e de suas propostas políticas em torno da paz e do bem-estar dos cidadãos.

Mas também damo-nos conta de que nenhuma conquista exterior – dinheiro, posses, posições sociais, fama, títulos de qualquer natureza-, é capaz de garantir-nos os bens mais valiosos: a paz e a própria vida física.


Recorrendo, novamente, à proposta psicoterapêutica de Jesus, ouviremos ele admoestando-nos sobre o valor real das coisas e a escala de importância que a elas damos: de que adiantaria ao homem conquistar o mundo e perder a própria paz, a própria vida?!


Não atingiremos nenhuma substancial mudança desse panorama dantesco da Humanidade apenas por bradarmos contra a violência e o terror. É indispensável que ajamos pacificamente, em qualquer situação, tornando-nos, assim, agentes pacificadores, por meio da contaminação de nossos semelhantes com a paz que emane de nós.


Se os maus tem gerado tanto caos no mundo, não é porque são em número superior ao dos homens e mulheres de bem, mas em razão de os bons acovardarmo-nos ou acomodarmo-nos.


Como esperar um mundo pacífico, dizendo-nos pacifistas ou pacificadores, mas agindo com indiferença ante os sofrimentos de milhões ou bilhões de seres humanos na Terra? A indiferença é uma violência que praticamos quase todos os dias. Sem nos darmos conta, temos contribuído para a violência social.


Mudamos a nossa foto no perfil do Facebook, vestimos uma camiseta com dizeres de paz, apresentamos a nossa profunda indignação face aos atos terroristas, mas a nossa conduta prossegue a mesma, baseada no egoísmo, que é o gerador de todos os vícios e males da sociedade humana. Desde que estejamos bem acomodados no conforto material, gozando dos prazeres que a vida pode oferecer-nos, nossa ação efetiva em favor de um mundo melhor não passa de atos sem maiores comprometimentos. Os nossos esforços não contemplam, de maneira nenhuma, a abnegação.


É preciso que despertemos a nossa consciência para esse dever moral, que a todos nos une: o de vencermos o mal, não pela violência, mas saindo de nós mesmos, do nosso egoísmo, e pelo impulso do “Self”, realizarmos todo o bem que estiver ao nosso alcance, de maneira que a força do bem sobreponha-se, naturalmente, ao mal.


Que a solidariedade, a caridade, a esperança, a fé, não sejam obnubiladas pelas trevas do ódio e da loucura. Que a voz do amor, sentido e vivido a cada dia, a cada instante, em qualquer circunstância, ecoe por todos os quadrantes de nosso planeta; que as nossas vozes amorosas entoem o hino da paz, com as nossas mãos em pleno trabalho de regeneração da Humanidade!


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